O custo da reintegração de posse não se resume aos honorários do advogado. O orçamento pode incluir custas judiciais, diligência do oficial de justiça, obtenção de documentos, apoio técnico, despesas para cumprimento do mandado e, em casos específicos, caução, perícia, remoção de bens ou reforço policial.
Por isso, não existe preço único válido para qualquer imóvel. O valor depende da urgência, da qualidade das provas da posse, do número de ocupantes, da localização, da resistência esperada e das etapas que o contrato de honorários realmente cobre.

Neste artigo, veja:
- o que compõe o orçamento
- como os honorários são definidos
- quais custas e despesas podem aparecer
- o que conferir no contrato
- respostas às dúvidas mais comuns
O que compõe o custo de uma reintegração
A reintegração protege quem perdeu a posse por esbulho. Conforme os arts. 560 e 561 do Código de Processo Civil, o autor precisa demonstrar sua posse, o esbulho, a data em que ocorreu e a perda da posse. Quando a petição está bem instruída, o art. 562 admite a expedição de mandado liminar; se a prova não for suficiente, pode haver audiência de justificação.
Essa diferença altera o trabalho. Um caso com contrato, notificações, fotos e cronologia organizada tende a exigir menos reconstrução documental do que uma ocupação antiga, com vários envolvidos e versões conflitantes. Também há diferença entre elaborar a ação, acompanhar todo o processo e atuar no cumprimento físico do mandado.

Como são definidos os honorários advocatícios
Os honorários contratuais remuneram o trabalho combinado entre cliente e advogado. Eles podem ser fixos, parcelados, vinculados a etapas ou combinar uma entrada com componente de êxito. A complexidade da prova, o valor econômico do imóvel, a urgência, o risco de incidentes e a quantidade de atos esperados influenciam a proposta.
É importante não confundir honorários contratuais com honorários de sucumbência. Estes podem ser fixados pelo juiz contra a parte vencida, nos termos do art. 85 do CPC, e não substituem automaticamente o que foi acordado no contrato. O documento deve explicar se recursos, audiências, cumprimento da liminar e medidas posteriores estão incluídos.
Um orçamento muito baixo pode cobrir apenas a petição inicial. Um valor maior pode incluir acompanhamento integral, resposta a incidentes, audiência, recurso e presença na diligência. A comparação correta não é apenas entre números, mas entre escopos equivalentes.
Custas judiciais e despesas do cumprimento
As custas variam conforme o estado, o valor atribuído à causa e os atos necessários. O Portal de Custas do TJSP, por exemplo, separa taxa judiciária, despesas processuais e diligências. Outros tribunais adotam tabelas e guias próprias, por isso o cálculo precisa considerar a comarca do processo.
- taxa de distribuição e despesas de citação;
- diligência do oficial de justiça;
- certidões, autenticações e documentos do imóvel;
- eventual perícia, levantamento ou apoio técnico;
- despesas de arrombamento, remoção, transporte ou depósito;
- preparo de recurso, se houver impugnação da decisão.

Nem toda despesa surge no início. A necessidade de chaveiro, remoção de objetos, depósito ou apoio adicional pode aparecer apenas quando o mandado for cumprido. Por isso, o orçamento deve indicar o que já está estimado e o que dependerá de autorização posterior.
Também vale reservar uma margem para atos imprevisíveis, sempre condicionada à prestação de contas e à aprovação prévia do cliente quando não houver urgência.
O que conferir antes de contratar
Peça uma proposta que descreva o objeto do trabalho, as etapas cobertas, a forma de pagamento e as despesas que ficam por conta do cliente. Confirme se o valor inclui audiência de justificação, contestação, réplica, recurso e acompanhamento do mandado. Também verifique como será tratada a atuação contra ocupantes não identificados ou a descoberta de outra ação sobre o imóvel.
Reintegração e imissão na posse não são sinônimos. A primeira protege posse perdida; a segunda costuma ser usada por quem possui direito à posse, mas ainda não a exerceu, como em algumas aquisições. Se o caso envolver compra ou arrematação, veja também o guia sobre custos da imissão na posse e o checklist de documentos para imissão na posse.
Chamada prática: para receber uma estimativa útil, envie matrícula ou contrato, prova da posse anterior, data e forma da ocupação, notificações, fotos, identificação dos ocupantes e informação sobre processos existentes. Esses dados permitem separar honorários, custas previsíveis e despesas eventuais.
Perguntas frequentes
O advogado pode cobrar percentual sobre o imóvel?
O contrato pode adotar percentual, valor fixo ou combinação entre parcelas e êxito, desde que o critério seja claro e compatível com as regras profissionais. Antes de assinar, confirme qual valor servirá de base, quando o êxito será considerado alcançado e quais etapas continuam cobradas separadamente.
As custas já estão incluídas nos honorários?
Não necessariamente. Honorários remuneram o serviço jurídico, enquanto custas e despesas pagam atos do tribunal e medidas práticas. O contrato deve dizer expressamente o que está incluído. Se houver adiantamento de despesas pelo escritório, também deve indicar como ocorrerá a prestação de contas.
Quem perde a ação paga todos os gastos?
A parte vencida pode ser condenada em custas e honorários de sucumbência, mas isso não significa reembolso automático e integral de tudo o que a parte vencedora gastou. A decisão judicial, a legislação local e a natureza de cada despesa definem o que será efetivamente suportado.
É possível pedir gratuidade da justiça?
Sim, quando a pessoa ou empresa demonstra insuficiência de recursos conforme as regras processuais. A concessão depende da análise do juiz e pode ser questionada pela outra parte. A gratuidade não elimina o contrato com o advogado particular e não cobre automaticamente toda despesa externa.

Conclusão
O custo da reintegração de posse resulta da soma entre honorários, custas do tribunal e despesas necessárias para provar e cumprir a medida. Um orçamento seguro separa esses blocos e deixa claro quais etapas estão cobertas.
Antes de comparar propostas, organize os documentos e confirme se a ação adequada é realmente possessória. Isso evita pagar por uma estratégia incompatível com a origem do direito e reduz surpresas durante o processo.

