O que acontece se minha empresa falir? A falência é um tema de extrema relevância no cenário econômico atual, especialmente no Brasil, onde cerca de 600 mil empresas encerraram suas atividades nos últimos dois anos, em grande parte devido à pandemia. Muitas organizações que enfrentam dificuldades financeiras se veem obrigadas a considerar a falência como uma alternativa para lidar com suas obrigações financeiras. A Lei nº 14.112/2020, que atualizou aspectos da recuperação judicial e das falências, trouxe mudanças importantes para o processo e suas implicações. Neste artigo, vamos detalhar o que realmente acontece quando uma empresa opta por esse caminho, além de explorar as consequências tanto para a entidade quanto para seus funcionários.

Principais pontos a considerar
- A falência pode ser solicitada tanto pelo credor quanto pelo devedor.
- Para ser decretada, a empresa deve ter dívidas superiores a 40 salários mínimos.
- Empresas públicas de propriedade mista e instituições financeiras não se enquadram na Lei 14.112/2020.
- Micro e pequenas empresas têm benefícios na recuperação judicial, podendo parcelar dívidas em até 36 vezes.
- Cerca de 44,1% de aumento nos requerimentos de falência foi observado no primeiro trimestre de 2023.
Entendendo a falência e suas implicações
A falência é uma situação que afeta diretamente a estrutura financeira de uma empresa. Compreender o que é falência, suas causas e os dados recentes pode ajudar a traçar um panorama mais claro sobre as dificuldades enfrentadas por muitas organizações no Brasil.
O que é falência?
A falência refere-se a um processo judicial que possibilita a liquidação dos bens da empresa devedora, visando a quitação de suas dívidas. Esse processo é derrogado quando uma empresa não cumpre com suas obrigações financeiras, normalmente quando as dívidas superam 40 salários mínimos.
Causas comuns que levam à falência
- Gestão financeira inadequada, resultando em investimentos mal-sucedidos.
- Perda de clientes ou diminuição significativa nas vendas.
- Crises econômicas que afetam o setor em que a empresa atua.
- Concorrência desleal e falta de inovação nos produtos ou serviços.
- Aumento excessivo de custos operacionais sem um aumento correspondente na receita.
Dados recentes sobre falências no Brasil
Segundo dados sobre falências no Brasil, a situação tem se mostrado alarmante. Apesar das tentativas de recuperação por parte de empresas em dificuldades, um número considerável não consegue evitar o processo de falência. Segundo a Lei 11.101/2005, um aspecto relevante é que apenas a empresa devedora pode solicitar a recuperação judicial, limitando as possibilidades de assistência. As entidades como empresas públicas e instituições financeiras não têm essa opção.
Para ter direito à recuperação judicial, a empresa deve estar ativa e registrada há pelo menos dois anos. Por outro lado, é fundamental que as empresas busquem entender cada etapa do processo de falência, incluindo como as dívidas serão tratadas e como a empresa poderá reorganizar suas operações no futuro. O conhecimento sobre esses fatores é essencial para uma gestão eficaz.
O processo de recuperação judicial
A recuperação judicial é uma opção valiosa para empresas que enfrentam dificuldades financeiras, permitindo a reestruturação de operações e dívidas. O objetivo central desse processo é evitar a falência, proporcionando um ambiente favorável para que a empresa continue suas atividades. Durante a recuperação judicial, um plano de recuperação é elaborado, demonstrando aos credores a viabilidade da reerguida.
Definição e objetivos da recuperação judicial
A recuperação judicial visa suspender e renegociar parte das dívidas acumuladas durante crises financeiras. Este processo busca garantir um fôlego financeiro para a empresa, permitindo o adiamento ou a suspensão do pagamento das dívidas, focando nas despesas prioritárias. A aprovação do plano de recuperação resulta na suspensão da maior parte das obrigações, criando um cenário positivo para a empresa em dificuldade.
Como solicitar a recuperação judicial?
Para iniciar o processo de recuperação judicial, é necessário que a empresa devedora esteja representada por um advogado de recuperação judicial. Esse profissional formaliza o pedido em juízo, incluindo documentação essencial, como demonstrações contábeis, relação de bens e um plano de recuperação detalhado. Esta documentação é fundamental para a análise do juiz, que avaliará a viabilidade do pedido.

O prazo para o encerramento da recuperação judicial é de até dois anos, conforme a Lei nº 11.101/2005, podendo essa duração ser estendida mediante autorização judicial. Existem projetos como o Recupera MPE, promovido pelo Sebrae, que visam apoiar micro e pequenas empresas no processo de recuperação judicial, proporcionando orientações e recursos para uma melhor reestruturação financeira.
Consequências da falência para a empresa e funcionários
A falência de uma empresa traz várias consequências significativas, tanto para a organização quanto para seus funcionários. A fase de declaração de falência é um momento crítico, onde o tribunal oficializa a situação, nomeando um administrador judicial responsável por gerenciar o processo. O objetivo principal desse processo é a venda dos ativos da empresa para quitar as dívidas na falência, visando atender os credores da melhor forma possível.
A fase de declaração de falência
Durante a fase de declaração de falência, o tribunal faz uma avaliação detalhada dos bens e dívidas da empresa. Um administrador judicial é nomeado para supervisionar todos os atos relacionados à falência, assegurando a conformidade com as normas estabelecidas pela Lei de Falências. Esse administrador inicia a contagem dos ativos e organiza a venda para arrecadar fundos que permitirão pagar os credores, minimizando assim as consequências da falência.
O que acontece com as dívidas da empresa?
As dívidas na falência não desaparecem automaticamente. Elas podem ser tratadas de forma parcelada através de um plano de recuperação judicial. Esse plano é essencial para garantir que a empresa tenha uma chance de recuperação, mesmo após a falência. O devedor pode propor um cronograma para quitação das dívidas, que será analisado e deve ser aprovado pelos credores. O descumprimento desse plano pode levar a novas complicações, além das que já existem devido à falência.
Direitos dos funcionários em caso de falência
Em uma situação de falência, os direitos dos funcionários na falência devem ser respeitados. Esses direitos incluem o pagamento de salários devidos, férias vencidas e proporcionais, e a multa de 40% sobre o FGTS em caso de falência. A justiça prioriza o cumprimento das verbas rescisórias devido ao seu caráter alimentar, assegurando que os trabalhadores e suas famílias tenham um suporte básico após a perda do emprego. Assim, a responsabilidade de pagar esses valores cabe à empresa falida, embora o cumprimento possa ser dificultado pela falta de recursos disponíveis.
Perguntas frequentes
- O que é falência de uma empresa?
Resposta: A falência é um processo judicial aplicado quando uma empresa não consegue cumprir suas obrigações financeiras. Nesse procedimento, os bens da empresa podem ser liquidados para pagar as dívidas com os credores, conforme as regras da Lei nº 11.101/2005. - Quem pode solicitar a falência de uma empresa?
Resposta: A falência pode ser solicitada tanto pelos credores quanto pela própria empresa devedora, desde que estejam presentes os requisitos previstos na legislação, como o descumprimento de obrigações financeiras. - O que acontece com as dívidas da empresa após a falência?
Resposta: As dívidas não desaparecem automaticamente. Os bens da empresa são avaliados e vendidos para gerar recursos destinados ao pagamento dos credores, seguindo uma ordem de preferência estabelecida pela lei. - O que acontece com os funcionários quando uma empresa fali?
Resposta: Os funcionários mantêm direitos trabalhistas, como salários atrasados, férias, 13º salário e verbas rescisórias. Esses créditos possuem prioridade no pagamento durante o processo de falência. - A recuperação judicial pode evitar a falência da empresa?
Resposta: Sim. A recuperação judicial permite que empresas em dificuldades financeiras reorganizem suas dívidas e operações, criando um plano de pagamento para tentar manter suas atividades e evitar a falência.
Conclusão
Ao encerrar nossa discussão sobre falência e recuperação judicial, é crucial destacar que a falência representa uma situação desafiadora, impactando não apenas as empresas, mas também os funcionários e credores. A conclusão sobre falência revela a necessidade de uma compreensão ampla do processo e das opções disponíveis para empresas em dificuldades financeiras.
A recuperação judicial emerge como uma solução viável para evitar a falência, permitindo que empresários reestruturem suas operações e renegociem dívidas. A implementação da Lei 14.112/20 trouxe mudanças significativas, oferecendo um novo olhar sobre as responsabilidades de devedores e credores, e possibilitando que mais de 5.200 empresas buscassem a recuperação em 2022, refletindo um aumento na conscientização e na busca por alternativas.
Por fim, considerações finais sobre falência indicam que a chave para a recuperação está na análise cuidadosa das circunstâncias financeiras e na busca de apoio jurídico adequado. Empreendedores que enfrentam crises devem estar atentos às opções disponíveis, dividindo suas preocupações e explorando um caminho para a recuperação, que pode, em última instância, preservar não só a empresa, mas também empregos e a confiança no mercado.

Links de Fontes
- https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/entenda-sobre-recuperacao-judicial-e-falencia,3c61226b84fd7710VgnVCM100000d701210aRCRD
- https://www.santander.com.br/blog/empresa-declara-falencia-paga-dividas
- https://borainvestir.b3.com.br/noticias/empresas/falencia-saiba-quais-as-principais-consequencias-para-companhias-e-investidores/



