Quanto custa ação de alienação parental depende menos do nome dado ao processo e mais do trabalho necessário para proteger a criança, compreender a dinâmica familiar e produzir prova confiável. Honorários, custas, perícia particular, deslocamentos e duração do litígio podem alterar muito o orçamento.
A discussão pode aparecer em ação autônoma ou dentro de processo de guarda, convivência, divórcio ou cumprimento de decisão. Antes de pedir um preço, é preciso definir objetivo, urgência, provas já existentes e medidas realmente adequadas. Acusações genéricas aumentam conflito e não substituem avaliação técnica.


Por que não existe preço único
A Lei nº 12.318/2010 define atos de alienação parental e permite que o tema seja analisado em processo já existente ou em ação própria. Um caso pode começar com descumprimento pontual da convivência e ser resolvido com ajuste de calendário. Outro pode envolver anos de conflito, mudança de endereço, falsas acusações, medidas protetivas e necessidade de avaliação multidisciplinar.
O preço varia conforme volume documental, número de incidentes, urgência, necessidade de audiência, produção de laudo, recursos e acompanhamento de medidas. Também pesa a localização das partes e da criança. Processos em comarcas diferentes ou com viagens frequentes podem demandar diligências adicionais.
Outro fator é o escopo do advogado. A proposta pode abranger apenas análise e petição inicial, ou incluir defesa, audiências, manifestações sobre laudo, cumprimento de decisões e recurso. Compare propostas pelo trabalho incluído, não apenas pelo número final.
Peça um orçamento legível: honorários, despesas previsíveis, atos incluídos, hipóteses de cobrança adicional e forma de pagamento devem aparecer separadamente.
Quais custos podem entrar no processo
Honorários advocatícios
Os honorários refletem análise inicial, estratégia, redação das peças, organização de provas, audiências, negociação, contato com profissionais técnicos e acompanhamento do processo. Complexidade e risco determinam o trabalho. A tabela da OAB do Estado funciona como referência, mas a contratação concreta considera escopo e circunstâncias.
Custas judiciais e despesas de comunicação
As custas variam por tribunal, valor da causa, tipo de pedido e regras locais. Podem existir despesas de distribuição, diligência, citação, carta precatória, cópias ou obtenção de documentos. Quem não tem condições pode pedir gratuidade da justiça, sujeita à análise dos requisitos.
A lei permite que o juiz determine perícia quando necessária. O laudo deve decorrer de avaliação ampla, com entrevistas, documentos, histórico do relacionamento, cronologia de incidentes e manifestação da criança ou adolescente conforme técnica apropriada. Na falta de equipe pública suficiente, pode haver nomeação de perito.
Honorários periciais variam segundo profissional, equipe, número de pessoas avaliadas, metodologia, deslocamento e quantidade de encontros. Assistente técnico e parecer particular também podem gerar custo, mas não são necessários em todo caso. A decisão deve ser guiada pela utilidade da prova.
Documentação e preservação de evidências
Atas notariais, certidões, relatórios escolares ou médicos, transcrições, autenticações e organização de mensagens podem compor o orçamento. Nem toda prova cara é melhor. Muitas vezes, uma cronologia limpa e arquivos originais bem preservados ajudam mais que centenas de capturas repetidas.
Acompanhamento psicológico fora do processo
Apoio terapêutico não deve ser usado para fabricar prova. Sua finalidade é cuidado. Quando existe determinação de acompanhamento psicológico ou biopsicossocial, a Lei nº 12.318 exige avaliações periódicas e laudos inicial e final. Cobertura pública, convênio ou atendimento particular influenciam a despesa.
Recursos e cumprimento de decisões
Se houver recurso, descumprimento de convivência, multa, necessidade de busca de solução urgente ou revisão da guarda, o trabalho cresce. Pergunte se agravos, apelação e fase de cumprimento estão incluídos. Um orçamento muito baixo pode cobrir apenas a entrada do caso.
Três cenários para entender o orçamento
Cenário 1: ajuste pontual com prova documental
Há calendário de convivência claro, poucos episódios documentados e abertura para solução. O trabalho pode se concentrar em notificação, negociação e pedido específico no processo existente. Aqui, o custo tende a ser mais previsível porque escopo e prova são delimitados.
Cenário 2: conflito repetido que exige avaliação
Existem acusações cruzadas, resistência, alterações no comportamento da criança e versões contraditórias. Pode ser necessário estudo psicossocial, audiências e manifestações técnicas. O custo aumenta porque a decisão não deve se apoiar somente na palavra de um adulto.
Cenário 3: litígio complexo com urgência e outros riscos
Mudança de cidade, longa ruptura de contato, alegação de violência, medidas protetivas ou risco à integridade exigem triagem cuidadosa. Alienação parental não pode ser usada para silenciar denúncias verdadeiras. Segurança da criança e apuração adequada têm prioridade, o que pode envolver outros processos e profissionais.

Como prova e perícia afetam o custo
O artigo 5º da Lei nº 12.318 prevê perícia psicológica ou biopsicossocial quando o juiz entender necessário. O texto atualizado exige profissional ou equipe habilitados e estabelece prazo de 90 dias para o laudo, prorrogável por decisão justificada. A ausência de equipe pública pode levar à nomeação de perito particular.
O CNJ publicou a Recomendação nº 157/2024 com protocolo para escuta especializada e depoimento de crianças em ações de família. O material adverte que a fala da criança precisa ser compreendida em contexto e que, em conflitos de convivência, a perícia psicológica costuma ser preferível a uma oitiva isolada.
Isso afeta custo e duração, mas também protege a qualidade da decisão. Economizar eliminando a avaliação necessária pode enfraquecer a prova; pedir perícias redundantes pode prolongar o conflito. O artigo sobre provas de alienação parental detalha a seleção de evidências.
Antes de calcular o custo desse tipo de ação, o advogado deve definir qual fato precisa ser provado. A simples resistência a uma visita pode ter causa logística, emocional ou de segurança. O rótulo jurídico só faz sentido quando conectado a comportamentos, contexto e impacto sobre vínculos familiares.
Como evitar gasto improdutivo e proteger a criança
Organize os eventos por data, com mensagem original, decisão vigente e consequência concreta. Evite enviar ao advogado o mesmo arquivo em vários formatos. Uma pasta por mês, nomes descritivos e índice simples reduzem horas de triagem.
Registre tentativas de cumprir o calendário sem provocar confronto. Use linguagem neutra e centrada na criança. Mensagens agressivas prejudicam negociação e podem ser incorporadas ao processo. Não interrogue a criança nem grave conversas de forma invasiva para obter confirmação.
Considere soluções proporcionais. Mediação, ajuste de horários, ponto de encontro, comunicação por aplicativo parental e orientação psicológica podem resolver parte do problema. Isso não significa ignorar conduta grave; significa escolher medida capaz de produzir convivência saudável.
Para compreender as bases da guarda compartilhada e dos direitos parentais, veja o guia específico. Se o conflito é descumprimento de acordo, também vale revisar o que fazer quando a guarda compartilhada não é cumprida.
Itens para pedir na proposta:
- diagnóstico inicial e objetivo do caso;
- peças, audiências e reuniões incluídas;
- tratamento de perícia e assistente técnico;
- custas e despesas pagas à parte;
- condições para recurso ou cumprimento;
- forma de pagamento e entregas.
Fontes oficiais consultadas
- Planalto: Lei nº 12.318/2010 atualizada
- CNJ: Recomendação nº 157/2024 e protocolo de escuta
- Planalto: Estatuto da Criança e do Adolescente
- STJ: prova técnica e contraditório em alienação parental
Perguntas frequentes
É obrigatório fazer perícia psicológica?
Não em todos os casos. A lei permite ao juiz determinar perícia quando necessária. A decisão depende do tipo de alegação, das provas disponíveis e da necessidade de compreender a dinâmica familiar com apoio técnico.
Quem paga os honorários do perito?
A responsabilidade pelo adiantamento segue as regras processuais e a decisão do juiz, considerando quem requereu a prova, eventual determinação de ofício e gratuidade. Ao final, a distribuição das despesas pode ser revista conforme o resultado e as regras de sucumbência.
Posso pedir gratuidade da justiça?
Sim, se não puder arcar com custas e despesas sem comprometer o próprio sustento ou o da família. O pedido exige informações verdadeiras, documentos compatíveis e pode ser analisado ou questionado pelo juízo ao longo do processo.
Quanto tempo dura esse tipo de processo?
Varia conforme urgência, tribunal, prova técnica, audiências, comportamento das partes e recursos. A lei prevê prioridade e prazo para o laudo pericial, mas isso não garante encerramento de todo o processo em prazo fixo ou igual para todas as famílias.
Conclusão
A resposta sobre quanto custa ação de alienação parental envolve estratégia, prova, tempo e cuidado técnico. Orçar apenas a petição inicial esconde perícia, audiências, cumprimento e possíveis recursos. Um diagnóstico inicial bem feito reduz atos desnecessários e concentra recursos na proteção da criança.
O Vieira Braga Advogados pode avaliar o histórico, a decisão de convivência e as provas para definir escopo, medidas proporcionais e orçamento transparente.




