O registro de patente no INPI começa com o depósito de um pedido tecnicamente redigido. Esse protocolo não é ainda uma patente: o direito só será concedido após processamento e exame. Busca, escolha da modalidade, documentação, pagamento, requerimento de exame, respostas a exigências e anuidades fazem parte do fluxo.
Desde 16 de setembro de 2026, o INPI orienta que novos depósitos sejam feitos pelo Módulo de Serviços de Patentes, com transição do peticionamento anterior. Como sistemas, tabelas e formulários podem mudar, confirme a página oficial no dia do protocolo. A seguir, veja o passo a passo e os prazos que não podem ser esquecidos.
Neste guia: triagem · busca · modalidade · documentos técnicos · depósito · publicação e exame · acompanhamento · exterior · dúvidas frequentes.

1. Confirme se a criação pode ser patenteada
Patente protege solução técnica, não ideia abstrata, nome comercial ou aparência isolada. A Lei nº 9.279/1996 exige novidade, atividade inventiva e aplicação industrial para patente de invenção. O modelo de utilidade tem requisitos próprios e recai sobre objeto de uso prático com nova forma ou disposição e melhoria funcional.
Revise também as exclusões dos artigos 10 e 18 e a data de qualquer divulgação. Feira, artigo, defesa acadêmica, vídeo, venda ou demonstração pública podem afetar novidade. O Brasil prevê período de graça em hipóteses legais, mas outros países podem não oferecer proteção equivalente. A conduta mais segura é avaliar e depositar antes de revelar detalhes.
O guia sobre como proteger uma invenção trata dessa fase estratégica, incluindo sigilo, titularidade e liberdade de operação. O presente artigo parte da decisão de preparar o pedido e se concentra no procedimento do INPI.
2. Faça busca de anterioridade
Pesquise pedidos e patentes nacionais e estrangeiros, artigos, catálogos, teses, vídeos e produtos. Use palavras-chave, nomes de depositantes, inventores e classificações tecnológicas. Uma busca bem documentada ajuda a identificar o diferencial e a redigir reivindicações mais realistas, mas não garante concessão: o examinador pode encontrar referências adicionais.
Separe busca de patenteabilidade de liberdade de operação. A primeira investiga se a solução parece nova e inventiva; a segunda avalia direitos de terceiros que podem ser infringidos pela exploração em determinado território. É possível obter patente para um aperfeiçoamento e ainda depender de licença sobre tecnologia anterior.
O tutorial oficial do INPI recomenda busca antes do depósito e alerta que novidade é mundial. Consulte as condições importantes para patentear e registre consultas, datas, classes e documentos próximos encontrados.
3. Escolha a modalidade e defina titulares
Decida entre patente de invenção e modelo de utilidade conforme a matéria. Confundir patente com marca também é comum: a primeira trata da tecnologia; a segunda protege sinal distintivo. Veja a diferença entre patente e marca registrada antes de escolher o serviço.
Liste corretamente inventores e depositantes. Inventor é quem contribuiu intelectualmente para a solução reivindicada; depositante ou titular é quem detém os direitos conforme lei e contratos. Relações de emprego, prestação, parceria, universidade e financiamento podem exigir documentos específicos. Divergência de titularidade compromete licenciamento e defesa futura.

4. Redija relatório, reivindicações, resumo e desenhos
O relatório descritivo apresenta campo técnico, estado da técnica, problema, solução e modos de realização. As reivindicações delimitam a proteção solicitada. O resumo facilita pesquisa, e os desenhos apoiam a compreensão quando necessários. A redação deve permitir que técnico no assunto execute a invenção e precisa manter consistência terminológica.
Não trate o formulário como espaço para completar depois. Matéria nova não pode ser livremente acrescentada após o depósito. Descreva variações e alternativas que realmente estejam suportadas, sem transformar o pedido em lista especulativa. Reivindicação ampla demais pode enfrentar anterioridades; estreita demais pode deixar imitações fora do alcance.
- título claro e compatível com a matéria;
- relatório descritivo suficiente;
- reivindicações numeradas e apoiadas pela descrição;
- resumo objetivo;
- desenhos com referências consistentes, quando cabíveis;
- listagem de sequências ou comprovante biológico, se aplicável;
- documentos de prioridade, cessão ou procuração quando exigidos.
5. Cadastre-se, pague a retribuição e deposite
Consulte a página oficial do Guia Básico de Patentes. Faça login no sistema indicado, confira os dados do depositante e gere a retribuição correta. Pessoas físicas, microempresas e outros perfis podem ter desconto conforme as regras vigentes.
No módulo, selecione depósito e preencha o formulário com os dados e anexos. Desde setembro de 2026, o INPI informa que a geração da guia no novo módulo deve estar em nome do depositante logado ou de um dos depositantes quando houver procurador. Confira o FAQ atual do depósito eletrônico.
Antes de enviar, revise arquivos, ordem, legibilidade, nomes, prioridade, inventores e titularidade. Após a transmissão, salve protocolo, número do pedido, formulário e anexos. A data de depósito influencia novidade, prioridade, publicação, exame e anuidades. Não confunda vencimento de guia com prazo legal do processo.
6. Passe pelo exame formal, publicação e exame técnico
O INPI realiza exame formal e pode exigir correções. Em regra, o pedido permanece em sigilo até a publicação, que ocorre no fluxo legal, salvo antecipação solicitada. A publicação torna o conteúdo acessível e permite acompanhamento por terceiros, mas não significa que a patente foi concedida.
O requerimento de exame é obrigatório e deve ser feito no prazo legal, atualmente até 36 meses do depósito. Sem ele, o pedido pode ser arquivado. O valor depende da modalidade e, para patente de invenção, pode variar conforme o número de reivindicações. Consulte o serviço e a tabela na data do pagamento.
No exame técnico, o INPI avalia requisitos e suficiência. Podem surgir pareceres, exigências, subsídios de terceiros, deferimento ou indeferimento. Respostas devem enfrentar cada fundamento dentro do prazo e preservar suporte no conteúdo originalmente depositado. Recursos e manifestações posteriores seguem regras próprias.

7. Acompanhe a RPI e pague anuidades
A responsabilidade de acompanhar o pedido é do interessado. Consulte a Revista da Propriedade Industrial, publicada semanalmente, e use alertas apenas como apoio. Despachos podem abrir prazos para exigências, recursos, pagamento, concessão ou outras providências. Mantenha calendário com responsável e evidência de cada ação.
As anuidades começam a partir do início do terceiro ano, isto é, após 24 meses do depósito, e continuam durante processamento e vigência. O INPI explica prazos ordinário e extraordinário das anuidades. Falta de pagamento pode arquivar o pedido ou extinguir a patente.
Depois do deferimento, cumpra a etapa de expedição e preserve a carta-patente. A patente de invenção vigora por vinte anos e o modelo de utilidade por quinze anos contados do depósito, observadas manutenção e hipóteses legais. Concessão brasileira produz efeitos no Brasil, não no mundo inteiro.
8. Planeje depósitos no exterior sem perder prioridade
Se houver mercado, fabricação ou concorrentes fora do Brasil, defina países cedo. A prioridade unionista e o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes oferecem caminhos, mas não criam patente mundial. Prazos, traduções, taxas, agentes locais e fases nacionais precisam ser orçados desde o primeiro depósito.
A estratégia territorial deve acompanhar receita provável e capacidade de fiscalização. Depositar em todo lugar raramente é econômico; deixar para decidir após o prazo pode eliminar opções. Avalie também divulgações e regras de novidade de cada jurisdição, sem presumir que o período de graça brasileiro será aceito.
Custos, descontos e orçamento do pedido
O custo não se resume à taxa inicial. Considere busca, redação, desenhos técnicos, tradução, depósito, exame, manifestações, anuidades, expedição e eventuais fases no exterior. Os valores oficiais variam conforme serviço e perfil do requerente. Consulte a tabela vigente e não use preço antigo encontrado em artigo ou captura de tela.
Monte projeção por anos e por país, com datas críticas. Um pedido pode permanecer em exame por período relevante e continuar gerando anuidades. Se houver redução disponível, confirme requisitos antes de emitir a guia. Pagamento incorreto ou associado ao interessado errado pode exigir regularização e criar risco de prazo.
Erros que mais comprometem o procedimento
- divulgar a solução antes de avaliar novidade e países;
- confundir patente de invenção, modelo de utilidade, desenho industrial e marca;
- omitir inventor ou indicar titular sem cadeia contratual;
- redigir reivindicações sem suporte suficiente no relatório;
- enviar desenho inconsistente com a descrição;
- perder o prazo de requerimento de exame;
- deixar de acompanhar despachos semanais na RPI;
- esquecer anuidades durante o processamento;
- presumir que o pedido brasileiro protege automaticamente outros países.
Outro erro é buscar somente pelo nome comercial do produto. Documentos de patente usam linguagem técnica e classificações que podem não aparecer numa pesquisa comum. Combine termos, sinônimos, classes, componentes, efeitos e depositantes. Registre a estratégia de busca para que ela possa ser revisada quando novas referências surgirem.
Também não espere o parecer para organizar documentos. Mantenha procuração, cessões, comprovantes, protocolos, guias, publicações e versões em pasta controlada. Registre quem decide sobre emendas, pagamentos, exterior e licenciamento. Mudanças de endereço, nome ou titularidade devem ser refletidas no processo conforme o procedimento aplicável.
Se o pedido perder utilidade comercial, avalie a continuidade de forma deliberada. Abandono por descuido é diferente de decisão estratégica documentada. Compare mercado, concorrentes, escopo provável, custos restantes e alternativas de segredo, novo depósito ou licenciamento antes de interromper pagamentos ou deixar prazo vencer.
Perguntas frequentes sobre registro de patente
O protocolo já garante a patente?
Não. O protocolo comprova o depósito do pedido e fixa uma data relevante. A patente só nasce após processamento, exame, deferimento e expedição. Até lá, existem expectativa de direito, deveres de acompanhamento e riscos de exigência ou indeferimento.
Preciso contratar procurador para depositar?
Residentes no Brasil podem depositar diretamente, segundo o INPI. Não residentes precisam de representante legal domiciliado no país. Ainda assim, busca e redação técnica influenciam o alcance, por isso apoio especializado pode ser relevante.
Qual é o prazo para pedir o exame?
O exame deve ser requerido dentro de 36 meses contados do depósito, conforme a Lei da Propriedade Industrial e orientações atuais. O não requerimento pode causar arquivamento. Confira código, valor e quantidade de reivindicações antes do pagamento.
Quando começam as anuidades?
O primeiro pagamento é devido a partir do início do terceiro ano, após 24 meses do depósito. Há prazos ordinário e extraordinário. As anuidades continuam durante o processamento e depois da concessão, enquanto a patente estiver vigente.
Posso adicionar melhorias depois do depósito?
Não é possível acrescentar livremente matéria nova ao pedido original. Melhorias posteriores podem exigir novo depósito ou outra estratégia. Por isso, a descrição inicial deve ser suficiente e contemplar alternativas efetivamente desenvolvidas e suportadas na data.
Conclusão: deposite bem e acompanhe até o fim
O registro de patente no INPI combina estratégia técnica e disciplina processual. Busca, redação suficiente, depósito correto, exame, respostas e anuidades determinam a trajetória do pedido. Revise sempre o portal oficial, pois sistema, valores e procedimentos operacionais podem ser atualizados.
Chamada contextual final: antes do protocolo, organize descrição, desenhos, inventores, titulares, divulgações e mercados. Uma revisão pode identificar lacunas e prazos, mas não garante concessão: a decisão depende do exame do INPI e do estado da técnica.




