O avanço rápido da ciência traz tratamentos experimentais como uma luz de esperança. Muitos pacientes que não veem resultados nos métodos tradicionais se voltam para eles. Surge a dúvida: a Justiça pode fazer com que esses tratamentos sejam entregues, mesmo sem aprovação da ANVISA? Isso é especialmente importante no Brasil, onde a demora da burocracia pode atrapalhar o acesso à saúde.
Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), o Estado não precisa dar remédios experimentais. A lei diz que, sem registro na ANVISA, geralmente não se pode obrigar a entrega desses remédios. Mas, se a ANVISA demorar demais, indo além do tempo previsto na Lei nº 13.411/2016, a situação muda.

Principais pontos
- O STF decidiu que o Estado não é obrigado a fornecer medicamentos experimentais.
- Não ter registro na ANVISA geralmente impede a concessão judicial de medicamentos.
- Há uma exceção para casos de mora irrazoável da ANVISA, conforme Lei nº 13.411/2016.
- Existem três requisitos principais para a concessão judicial de medicamentos sem registro.
- Ações para fornecimento de medicamentos sem registro devem ser movidas contra a União.
Contexto dos tratamentos experimentais no Brasil
No Brasil, terapias e medicamentos ainda em teste ou sem registro na ANVISA são tratamentos experimentais. Essa área cresceu muito nos últimos anos. Isso traz esperança com terapias novas e cuidados individuais.
Definição de tratamentos experimentais
Tratamentos experimentais estão em testes para ver se são seguros e funcionam, antes da aprovação oficial pela ANVISA. Eles podem ser terapias avançadas, como terapias gênicas e imunoterapias. Esses tratamentos estão na frente da medicina moderna, oferecendo novas soluções para doenças sem cura antes.
Exemplos de terapias avançadas e abordagens experimentais
Existem várias terapias avançadas inovadoras. Por exemplo:
- Terapias com células CAR-T, eficazes contra leucemias e linfomas.
- Inibidores de checkpoints imunológicos, que fortalecem a resposta do corpo contra tumores.
- Vacinas personalizadas, baseadas no tumor do paciente.
- Terapias gênicas, que consertam defeitos genéticos causando o câncer.
Estes tratamentos são constantemente avaliados em estudos clínicos:
- Fase 1: Testa a segurança e a dose correta do tratamento.
- Fase 2: Verifica se o tratamento funciona em poucos pacientes.
- Fase 3: Compara o novo tratamento com outros já existentes em mais pacientes.
- Fase 4: Observa os efeitos a longo prazo e a eficácia em uma grande quantidade de pessoas.
O papel da ANVISA na aprovação de medicamentos
A ANVISA verifica se novos tratamentos são seguros e eficazes antes de serem liberados no Brasil. Ganhar a aprovação da ANVISA é necessário para que os pacientes tenham acesso a novas terapias. Mesmo assim, em casos urgentes, a justiça pode permitir o uso de tratamentos experimentais.
Critérios legais para a concessão judicial de tratamentos experimentais
A judicialização da saúde no Brasil tem crescido, focando em medicamentos experimentais para doenças graves. A Constituição de 1988 destaca o direito à saúde. Isso gera um debate sobre o papel do Estado em prover tais tratamentos.

Requisitos estabelecidos pelo STF (Tema 500)
O STF definiu regras claras no Tema 500. Primeiro, o remédio não pode ter alternativas no SUS. Também, deve-se explicar porque a ANVISA não aprovou o medicamento ainda.
O tratamento deve ser validado por órgãos como a FDA (EUA) ou a EMA (Europa). É vital que sua eficácia seja cientificamente provada e que exista uma necessidade urgente.
Exceções para medicamentos órfãos e doenças raras
Há regras mais simples para medicamentos para doenças raras. Devido à escassez de tratamentos e a urgência destas doenças, atrasos da ANVISA são muitas vezes inaceitáveis. A Lei 14.454/2022 menciona que as normas da ANS ajudam a flexibilizar a aprovação de medicamentos experimentais.
A mora irrazoável da ANVISA na análise de pedidos
A demora da ANVISA é um grande problema. Isso faz que pessoas com doenças raras ou em situação grave busquem ajuda na justiça. Segundo dados, a judicialização da saúde disparou, indo de 21 mil para mais de 61 mil ações por mês em 2024.
Casos práticos e decisões judiciais relevantes
Vários casos marcantes envolvem decisões judiciais sobre tratamentos experimentais no Brasil. As decisões mostram opiniões diferentes sobre a responsabilidade do Estado em fornecer esses tratamentos. Isso é especialmente importante ao olhar para o impacto financeiro no SUS.
Jurisprudência sobre a obrigatoriedade do fornecimento pelo Estado
A tomada de decisões pelos tribunais brasileiros varia bastante sobre o tema. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que, normalmente, a falta de registro na Anvisa impede o fornecimento de medicamentos pela justiça. Contudo, existem exceções se a urgência e as condições específicas do caso forem demonstradas.
O TJDFT, em decisões variadas, às vezes opta por não obrigar o Estado ao fornecimento. Em outras situações, reconhece esse dever. Isso mostra a importância de analisar cada caso de forma detalhada.
Exemplos de acórdãos relevantes
Certos acórdãos se debruçaram sobre casos em que o fornecimento de remédios caros, fora da lista do SUS, foi autorizado em favor dos pacientes. Isso afetou bastante as finanças do SUS. O custo anual com decisões judiciais pode chegar a R$7 bilhões. Por exemplo, em 2015, os gastos com a judicialização pelo Governo Federal foram de R$1 bilhão, de acordo com o Tribunal de Contas da União.
Pesquisas variadas mostram que as ações judiciais contra o SUS aumentaram muito recentemente. Elas acontecem em níveis municipal, estadual e federal. A maioria dessas ações busca a obtenção de remédios e tratamentos de alto custo fora da lista do SUS.
Impacto econômico das decisões judiciais para o SUS
O gasto com judicialização tem sido alto em São Paulo, passando de R$1 bilhão em alguns anos. Entre 2007 e 2018, os gastos da União com saúde judicializada subiram 4.600%. O gasto médio anual é de R$1,5 bilhão apenas com produtos obtidos por via judicial.
A judicialização cria um SUS de “duas portas”. Uma para quem acessa tratamentos pelo Judiciário e outra para os demais. Isso piora com a falta crônica de recursos no sistema, que já não suporta o aumento das demandas judiciais.
Conclusão
A necessidade de equilibrar o direito à saúde com a segurança dos tratamentos é um desafio. Este artigo mostrou como o Brasil lida com tratamentos experimentais na justiça. A ANVISA tem um papel crucial nesse processo, influenciando diretamente as políticas de saúde do país.
Os tratamentos experimentais ajudam a combater doenças complicadas. Mas, os riscos e custos muitas vezes são assumidos por quem os produz. É fundamental que a ética médica proteja quem participa dos testes, assegurando sua segurança e privacidade.
Agências como a ANVISA e a FDA são essenciais para garantir que novos tratamentos sejam seguros. Com mudanças constantes nas regras de saúde, o objetivo é inovar com responsabilidade. Isso significa proteger os pacientes enquanto se permite o progresso da medicina.

Links de Fontes
- https://www.tjdft.jus.br/consultas/jurisprudencia/jurisprudencia-em-temas/precedentes-qualificados-na-visao-do-tjdft/direito-da-saude/saude-publica/tema-500-2013-fornecimento-de-medicamento-pelo-estado-2013-nao-registrado-na-anvisa
- https://www.conjur.com.br/2022-ago-17/planos-nao-sao-obrigados-cobrir-tratamentos-fisioterapicos-stj/
- https://kobiadvogados.com.br/blog/tratamentos-experimentais/
- https://vencerocancer.org.br/o-que-e-cancer/tipos-de-tratamento/tratamento-experimental/
- https://www.galiciaeducacao.com.br/blog/a-judicializacao-do-acesso-a-medicamentos-experimentais-no-brasil/
- https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-de-direito-medico-e-bioetica/409824/avaliacao-judicial-da-eficacia-cientifica-de-tratamentos-em-saude
- https://www.gov.br/secom/pt-br/fatos/brasil-contra-fake/noticias/2024/10/acordo-sobre-judicializacao-da-saude-contempla-tratamentos-doencas-raras-desde-que-sejam-eficazes-e-seguros
- https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2021/07/Cartilha_2_PROVA-3-1.pdf
- https://www.conjur.com.br/2019-ago-13/stf-posiciona-fornecimento-remedios-registro/
- https://www.galvaoesilva.com/blog/direito-medico/tratamentos-experimentais/
- https://www.scielo.br/j/ape/a/zzzFVxtTVPH4Lvxp4ZgNtwn/
- https://www.nationalgeographicbrasil.com/ciencia/2020/04/o-que-voce-deve-saber-sobre-os-tratamentos-experimentais-contra-o-coronavirus